Num jogo que se antevia difícil, complicado e até algo quezilento a nossa jovem equipa deu mais um excelente exemplo da sua valia técnica e da sua cada vez maior maturidade ao levar de vencida a experiente e matreira turma da Cruz-Quebrada, fazendo das suas aparentes fraquezas a maior força do colectivo.

A somar à malapata de lesões que tem condicionado as opções do técnico Jorge Faustino juntou-se a ausência do António Castel-Branco, temporariamente fora do país, o que motivou a apresentação de apenas 8 jogadores, algo que deixou alguns dos adeptos um pouco cépticos quanto ao desfecho final do jogo pois do outro lado, para além da experiência, veterania e ratice do núcleo base do adversário composto por Afonso, Porto e Araújo, havia ainda mais 9 valorosos atletas aptos a colocar dificuldades à nossa rapaziada.

O primeiro período do jogo foi marcado por grande equilíbrio, com uma melhor entrada da turma da linha, a conseguir ganhar um ligeiro ascendente nos primeiros minutos de jogo. A nossa rapaziada deu resposta pronta e conseguiu chegar ao final do primeiro período na frente do marcador por 19-17.

No segundo período o cariz da partida não se alterou, tendo os homens da Simecq conseguido  tirar mais partido da ratice e matreirice do seu cinco base, nem sempre dentro das regras, que o diga o Jermaine quando foi forçado a ser substituído por ter “batido” com a boca no cotovelo de um adversário….., tendo chegado ao intervalo a liderar o marcador por 28-32.

As equipas vieram do intervalo com o mesmo empenho e espírito de luta com que tinham disputado a primeira parte do jogo, tendo alternado no comando do marcador com uma vantagem inicial de 7 pontos para os verdes da Cruz-Quebrada, logo parada por um oportuno desconto de tempo do treinador Jorge Faustino, o qual não só travou o ascendente do adversário como conseguiu virar o jogo com uma alteração táctica decisiva ao mudar a defesa de HxH para zona press.

Apanhado de surpresa pela alteração defensiva do Atlético, o banco da Simecq não conseguiu reagir e ajustar o seu ataque às novas dificuldades o que permitiu que a nossa rapaziada voltasse à liderança do marcador por 45-44 no término do terceiro quarto.

Á entrada para o último e decisivo quarto do jogo a incerteza era a nota dominante, pairando a dúvida sobre a capacidade de superação dos nossos jovens perante a veterania adversária. O que é facto é que os nossos jovens “guerreiros” foram mestres na arte de fazer das suas fraquezas uma força imbatível e brindaram os seus experientes opositores com um claríssimo parcial de 27-15, a fixar o resultado final em 72-59.

Pelo meio o azarado Jermaine Mellis ainda teve mais um “encontro imediato” com um cotovelo alheio, desta feita sem consequências e sem necessidade de saír das quatro linhas.

Antes de fazermos a apreciação da performance individual dos valorosos “Speedies da Tapadinha” não podemos deixar de referir a considerável presença de público nas bancadas, com particular destaque para muitas caras conhecidas do basquetebol, desde jogadores a treinadores e dirigentes, seguramente curiosos por ver o desempenho da nossa jovem equipa e apreciar a sua capacidade para superar o experiente opositor da linha de Cascais.

Num jogo marcado por tantos handicaps (lesões, ausências) a primeira palavra é de parabéns para todos os 8 jovens e a dupla técnica Jorge Faustino/Ramiro Dantas. É claro que o João Castel-Branco foi o sniper de serviço com 20 pontos marcados, que soube gerir inteligentemente o jogo com o João Teixeira (12 pontos).

Também é claro que o João Teixeira é um excelente base, evoluído tecnicamente, sem medo de penetrar para o meio da molhada de braços e mãos fechadas e que teve um papel importantíssimo na vitória, como o tiveram o Henrique Martins (13 pontos), destemido, com uma frieza notável na hora de assumir o jogo e a exibir uma maturidade impressionante para os seus 19 anos.

As duas torres, Jorge Pires e Jermaine Mellis, bateram-se bravamente contra os valorosos e matreiros postes contrários, tendo ambos atingido um “duplo-duplo” (15 pts e 12 ressaltos o Jermaine e 12 pts e 15 ressaltos o Jorge).

O Álvaro foi um exemplo de espírito de sacrifício pois estava a contas com uma gripe e passou o jogo com febre, o jovem Voijn deu tudo o que tinha quando foi chamado a substituir o Jermaine e o nosso benjamim Eduardo Pires foi incansável no apoio aos companheiros e seguramente saberá aproveitar futuras oportunidades para mostrar o seu grande potencial.

Uma palavra final para a jovem dupla de arbitragem que foi de longe a melhor que vimos actuar nesta época em jogos do Atlético, tendo sempre o controlo do jogo, nunca se deixando intimidar pelos experientes jogadores da Cruz-Quebrada.

Quanto à ficha do jogo: pelo Atlético alinharam e marcaram –  4 – João Castel-Branco (20pts); 6- Voijn Crnjanski; 7 – Álvaro Cardoso;  9 – Henrique Martins (13pts); 10 – João Teixeira (12pts); 11- Eduardo Pires; 15 – Jorge Pires (12pts); 23 – Jermaine Mellis (15pts).