No popular bairro lisboeta de Alcântara vive um dos históricos da modalidade. Desde 1942 que o Atlético participa nos campeonatos da FPB e, este ano, volta a fazer história, ao qualificar-se para a final-8 da Taça de Portugal – curiosamente, o Atlético venceu a 1ª edição da Taça, em 1953/54. Para isso, o treinador Hugo Sousa conta com um grupo de jogadores com larga experiência nacional e internacional, como são os casos do trio constituído por Sérgio Ramos (40 anos), Miguel Barroca (31) e João Manuel (36), que também conseguiram um lugar na 2ª fase da Proliga.

Habituados a evoluir nos principais clubes portugueses, onde conquistaram todos os títulos, e nos grandes palcos europeus, Sérgio Ramos – o único português que disputou as ligas espanhola e italiana –, Miguel Barroca e João Manuel aderiram ao projeto do Atlético, para manter viva a paixão de jogar.

“No ano em que ingressei consegui convencer o João Manuel e no ano seguinte conseguimos trazer o Sérgio. Acabei por encontrar jogadores que como eu mantêm a grande paixão em jogar e conseguem conciliar, treinos e jogos com a sua vida profissional”, disse-nos o ex-Benfica Miguel Barroca, que chegou à Tapadinha na época 2013/14.

João Manuel é outro dos jogadores que se recusa reformar. No final da época 2008/09, então ao serviço do Ginásio Figueirense, decidiu parar. “Mas o bichinho estava cá dentro”, confessa-nos o jogador que brilhou, por exemplo, no Benfica e no Queluz. Dois anos depois regressou pelo Algés e em 2013 ingressou no Atlético. “O que me fez regressar foi a paixão de jogar, mesmo a um nível que não é profissional. Estou a gostar muito desta experiência. O grupo é muito giro. Tanto o Miguel, como Sérgio e até o Jorge Afonso, que também jogou a nível profissional, formamos um grupo de muita experiência e que faz a diferença”, confessa.

Sérgio Ramos é o mais internacional jogador do Atlético, com 115 chamadas às Seleções. Com 40 anos, desfruta o prazer de jogar ao serviço da equipa lisboeta, onde chegou na época 2014/15, depois de 4 anos ao serviço do Benfica (2008 a 2012).

“A minha carreira terminou no Benfica, mas acabei por ser desafiado pelo Miguel Barroca para voltar a jogar. Mas este regresso teve mais a ver com a vontade de manter a forma física, uma vez que é melhor treinar em conjunto do que sozinho. Faço algo que me dá prazer e que é bom para o corpo. É como voltar as origens”, confessou Sérgio Ramos.

Saudades dos momentos altos
O Atlético, que venceu a 1ª edição da Taça de Portugal, na década de 50, está pela primeira vez na discussão deste novo formato da Taça de Portugal, que se disputa numa final concentrada com oito equipas. Mais um êxito que a equipa alcantarense alcança e para isso muito contou a experiência do conjunto de veteranos que integram o plantel.

“Dá-nos um grande gozo voltar a estar nos momentos altos da modalidade. Eu confesso que já tenho saudades”, confessou-nos Miguel Barroca. Já João Manuel comunga com o seu companheiro o mesmo sentimento, embora aponte outro foco. “O objetivo passa prioritariamente pela Proliga. A presença na final-8 é para desfrutar”, confessa.

“Reconheço que é importante para o clube esta presença na final-8. Mas seria bom que funcionasse como um estímulo para que o Atlético melhore a sua estrutura, tanto humana como de material. Tem de olhar para o futuro e para isso terá de dinamizar a formação”, salienta Sérgio Ramos.

Antiguidade ainda é um posto
A popular expressão ‘velhos são os trapos’ aplica-se perfeitamente nesta equipa do Atlético. Na verdade, para além de Sérgio Ramos, Miguel Barroca e João Manuel, o treinador Hugo Sousa dispõe de outros jogadores que ultrapassam já os 30 anos. São os casos de Jorge Afonso (36) – jogador com vasta experiência ao nível profissional, ao serviço do Algés, Belenenses, Queluz, Física, Eléctrico, antes de se fixar no Atlético, em 2011/12 -, Tiago Magalhães (39), Hugo Aurélio (30), esse um verdadeiro homem da casa, e Miguel ‘Bacalhau’ Araújo, quase a completar os 45 anos, que se iniciou no Atlético. Depois passou pelo Queluz e Seixal e regressou ao clube de Alcântara, em 2009/10. E por falar em fidelidade, merece destaque João MArques que, aos 26 anos, nunca vestiu outra camisola desde os escalões de formação.

Texto de Vítor Ventura (Jornal Record)