Tem apenas seis anos de idade. No entanto é das pessoas mais conhecidas na Tapadinha. Chama-se Martim e é guarda-redes nos petizes do Atlético. Todos os dias, faça chuva ou sol, o pequeno Martim está na Tapadinha, seja a treinar ou a brincar, todos se habituaram à sua presença.

«Foi algo que o Martim conquistou», explica-nos Mónica, mãe do Martim. «Acho que ninguém te consegue explicar bem como ele o conseguiu», completa Alexandre, pai do Martim.

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Martim a fazer algo a que nos habituou: a desenhar tácticas no quadro.

Edgar Narciso, coordenador do futebol Juvenil, explica-nos o lado do clube. «Ele foi aparecendo, e o Martim é daquelas crianças que é difícil não gostar.» O irrequieto Martim conhece todos, e todos o conhecem. «Ele mete-se com os mais velhos, e eles chamam-no para o ‘meinho’. E o Martim entra no meio e convive com um à vontade que é difícil de encontrar numa criança de seis anos».

Mas então, como chega o Martim ao Atlético? «Foi através de um torneio, há coisa de dois anos», desvenda Alexandre. É assim que o Martim conhece o Atlético, e desde cedo que foi amor à primeira vista.

«Ao fim de semana ele acorda às 7 da manhã a dizer que quer vir para o Atlético porque joga A, B ou C (risos)», mas apesar de tudo, os pais do Martim nunca incentivaram, ou deixaram de incentivar esta paixão. Mónica confessa que «sabia que o Atlético era na Tapadinha (risos), mas não tínhamos nenhuma ligação com o Atlético». Já Alexandre, que foi adjunto no Oriental, conhecia o Atlético «como adversário».

Mas a verdade é que a paixão do Martim pelo Atlético é gigante. «É um ‘puto’ irrequieto que tem uma paixão pelo Atlético como ninguém», opina Blessing Lumueno, treinador dos Juvenis B. A presença do Martim é encarada com naturalidade por todos, e segundo Edgar Narciso «o Martim já é uma referência para os mais velhos, quando costuma ser o contrário».

E quem pensa que isto se esgota na formação, o Martim faz questão de mostrar o contrário. «Ele pedia para ser apanha-bolas, mas por ser muito pequeno eu tinha receio de o fazer. Até ao dia, que não consigo precisar, o Martim ouve alguém a insultar-me nas bancadas e vem a correr para me contar. A partir dai passou a ser apanha-bolas», conta Edgar.

Edgar vai mais longe. «Já nem preciso de o avisar. Ele sabe que os seniores jogam em casa e sabe a que horas tem de cá estar».

E os jogadores profissionais não são indiferentes ao Martim. Nos intervalos dos jogos é comum ver os suplentes a brincar com ele. «O Martim já ficou feliz pelo facto de o Silas lhe ter oferecido uma braçadeira de capitão. E essa braçadeira vai a todos os jogos do Martim», conta Mónica.

Edgar assume que o Martim «é exemplar como apanha-bolas. É o único que não sai do seu posto. Na cabeça dele, se o fizer, o Atlético não ganha. Ainda há pouco tempo estava a chover torrencialmente e ele não saiu do seu lugar. Foi o Amit, que não fala uma palavra em português, que foi lá vestir-lhe um impermeável.»

Pela sua personalidade, já muitas histórias engraçadas tiveram o Martim como protagonista. «Ele não tem filtro. Diz o que acha, seja a jogadores seja ao Presidente» diz-nos Blessing.

«Houve um jogo dos seniores em que o árbitro era o Bruno Paixão. Ele ia ao banco para expulsar o Rui Nascimento, na altura Treinador do Atlético, e o Martim vai ter com o Bruno Paixão e estende-lhe a mão e diz: ‘Olá, sou o Martim’. O Bruno Paixão começa a rir e volta para dentro de campo», conta Alexandre.

«O sonho dele é ir no autocarro dos seniores», desvenda Mónica. «Ainda à pouco tempo chegamos à Tapadinha e o autocarro dos seniores estava a sair e ele olhou para mim, com os olhos em lágrimas, e disse: ‘Mãe, deixa-me ir!’»

«Na minha óptica, o melhor presente que podemos dar ao Martim, é continuar a deixá-lo fazer parte da nossa vida desportiva», opina Edgar. «Acho que isso sim, é o importante na vida dele».

«Já me disse que vai jogar nos seniores. A vida dele é, e vai continuar a ser, o Atlético. Enquanto ele for feliz, e eu puder, o Martim vai continuar no Atlético», assume Alexandre.

Do alto dos seus seis anos, Martim arrebatou-nos com a sua irreverência, a sua alegria, o seu amor pelo Atlético e tudo aquilo que este representa para ele.

Martim, qual é o teu clube?
«Oh. Já sabes, pá. É o Atlético!»