Um Atlético que resistiu e teve que tomar a partida de remontada, sobrevivendo ao golo do Carcavelos aos 24′, e encetando uma recuperação que teve que ser operada na base da raça, da vontade, do querer. Algo de relevante num onze que apresentou apenas um jogador de segundo ano de júnior, e ainda um juvenil.

O Atlético meteu-se em apertos, já que o golo do Carcavelos nasce de um erro defensivo da equipa de Gil Velez. O treinador alcantarense bem que puxou pelos seus jogadores, deu todas as indicações e mais algumas, mas por vezes os actos contam mais que as apalavras, e a substituição operada aos 35 minutos teve o condão de espicaçar a sua equipa.

Podemos falar de sorte, destino, ou qualquer outro artifício místico, mas no minuto seguinte o Atlético faria o empate, na sequência de um canto que Paulo Andrade desvia para Gogas finalizar. Mas tal como os Romanos treinavam gladiadores para combater nos coliseus, jogar no pequeno sintético da Tapadinha exige mais do que ter talento com a “redondinha” nos pés. É preciso querer mais que o adversário, ser mais agressivo na disputa da bola, enfim, ser um gladiador preparado para qualquer combate.

Depois de um início pobre, algo sonolento, o Atlético despertou. A partir dos 35′ a equipa acordou, disputou cada bola como se fosse a última, e manteve a toada após o intervalo. Num campo de dimensões reduzidas essa atitude semeia os seus frutos, e se aos 49′ André Martins ensaiou o remate que passou perto da barra, dois minutos depois Paulo Andrade e Miguel Gomes desenharam o golo que deu a cambalhota no marcador. Paulo Andrade combinou com Miguel Gomes junto da linha lateral, isolou-se e rematou para defesa incompleta do guardião do Carcavelos. Miguel Gomes recebeu a bola perdida à entrada da área e não desperdiçou, perante a baliza deserta.

Com o Atlético em vantagem a equipa do Carcavelos mostrou atitude semelhante à dos nossos atletas, aumentou os índices de agressividade, mas caiu na tentação de despejar bolas para a área, onde a linha defensiva do Atlético, com Paulo Barros imperial no solo e nas alturas, não esquecendo as exibições tremendas dos seus companheiros de sector – Gogas, Augustus e Tiaguinho – além do minhoto Luís Viana, foram deixando Ricardo Carolino descansado e sem preocupações. Porém o jogo fica feio, com muito músculo a meio-campo e um juiz com o apito demasiado interventivo (a lei da vantagem existe e serve para não quebrar o ritmo do jogo).

O Carcavelos foi tentando, colocou mais gente na frente, procurou o golo, mas seria o Atlético, por intermédio de Leandro Mendes – qual serpente venenosa – a dar o golpe final de misericórdia, quando aos 88 minutos Rui Craveiro temporiza bem a bola no lado esquerdo e entrega ao avançado alcantarense, que desfere um belo remate em arco que entra junto ao poste mais distante da baliza forasteira.

O jogo terminaria pouco depois, o Atlético amealhava mais três pontos, subindo ao 9º lugar da classificação, e vencendo pela primeira vez esta época duas partidas consecutivas.

Divisão de Honra, 2016/17
26 de Novembro de 2016 | Sábado | 15:00H
Jogo no Estádio da Tapadinha – Campo n.º 2, em Lisboa.

ATLÉTICO 3-1 CARCAVELOS
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0-1, Carcavelos (24′);
1-1, Gogas (36′);
2-1, Miguel Gomes (51′);
3-1, Leandro Mendes (88′).

ATLÉTICO: Ricardo Carolino; Gogas, Augustus (C), Paulo Barros e Tiaguinho; Luís Viana, André Martins (Marcelo Silva, 89′), Rivaldo e Miguel Antunes (Leonardo Rua, 35′); Miguel Gomes (Leandro Mendes, 62′) e Paulo Andrade (Rui Craveiro, 62′).
Suplentes: Kevin Tavares, Fábio Sané, Marcelo Silva, Rui Craveiro, Leandro Mendes, Tomás Chagas e Leonardo Rua.
Treinador: Gil Velez.

Árbitro: Ricardo Luz.
Assistentes: Rogério Branco e Diogo Pereira.
Acção disciplinar: cartão amarelo para Miguel Gomes (55′) e Luís Viana (61′).