Germano Luís de Figueiredo (23 de Dezembro de 1932 – 14 de Julho de 2004), foi um antigo futebolista português, que jogava como defesa-central, que representou o Atlético de 1947 a 1960.

Nome: Germano Luís de Figueiredo
Data de Nascimento: 23 de Dezembro de 1932
Local de Nascimento: Alcântara, Lisboa
Nacionalidade: Português
Internacionalizações: AA 24 (0 golos)

 

Posição: Defesa-Central
Período no Atlético: 1947-1960
Estreia: Atlético-Benfica, 3-4 (30/09/1951)
Jogos: 161
Golos: 28

O início

Nasceu em Alcântara, no dia 23 de Dezembro de 1932. O Atlético ainda não existia. Tinha apenas onze anos quando perdeu o pai. Três anos depois foi a vez de perder a mãe. A vida fora madrasta para o pequeno Germano. Tinha como ídolo Carlos Baptista, proeminente jogador do Carcavelinhos e Atlético, o saudoso “Back da Morte“. Em 1947 entrou para os infantis do Atlético. A baliza seduzia-o, mas Carlos Baptista, o seu ídolo de infância, achou que o jovem Germano tinha capacidades para jogar mais à frente. Transformou-o num avançado-centro. Mas Germano não se ficaria pelo ataque. Fixou-se mais tarde a central. E foi nessa posição que conheceu as páginas mais brilhantes da sua vida desportiva. Germano foi o primeiro jogador total, ao mais alto nível, que o futebol português conheceu, um extraordinário polivalente.

A estreia pelo Atlético

Estreou-se pela equipa de honra do Atlético contra o Benfica. Jogou no lugar de Armindo, defesa duro e experiente, mas cuja lesão obrigou o treinador Janos Biri a chamar Germano a jogo. O Benfica venceu por 4-3, mas nada houve a apontar a Germano. Mesmo assim foi relegado para a equipa de reservas, porque ainda era jovem e precisava de jogar. Na segunda volta do campeonato, no Estádio do Campo Grande, a titular jogou e nunca mais saiu. Rapidamente chegou a internacional, pela mão de Salvador do Carmo, frente à Áustria.

A doença que quase acabava com a carreira

Mas a vida teimava em ser madrasta para Germano. Tudo começou com uma banal constipação. Em Braga jogou debaixo de uma chuva intensa e no final sentiu-se mal. Recuperou e foi em digressão pela Turquia e Egipto ao serviço da Selecção Nacional. Seguiu-se Madrid, pela Selecção de Lisboa, num jogo organizado pela mulher de Franco. No aeroporto da capital espanhola a virose que carregava iria revelar-se, com a comitiva a desesperar por um avião de regresso.

Já em Lisboa deu entrada no Hospital Santa Maria. Tinha uma pleurisia líquida, que curou no Sanatório do Caramulo, perdendo assim a possibilidade de se transferir para o Sporting. A transferência já estava acertada: 400 contos para o Atlético, 100 para Germano. O Sporting recuou, e Germano continuou a ser jogador do Atlético. Ultrapassou a doença, e ainda voltou a tempo de comemorar, no Estádio da Tapadinha, o título Nacional da 2ª Divisão.

O Benfica campeão europeu

A próxima paragem seria o Benfica de Béla Guttmann. Estávamos em 1960. O Benfica era campeão nacional e preparava-se para ser Campeão Europeu. Foi a primeira das seis temporadas de Germano com a camisola do Benfica. Bi-campeão Europeu, 4 campeonatos e 2 Taças de Portugal. O seu currículo ficaria recheado de títulos no Benfica.

A 27 de Maio de 1965 Germano haveria de ter aquela que muitos recordam ter sido um das suas mais fantásticas exibições. Em S. Siro, o Benfica jogava com o Inter de Milão numa final da Taça dos Campeões Europeus. Lesionou-se o guarda-redes Costa Pereira que, momentos antes, consentira um golo. Aos 57 minutos Germano foi para a baliza. Até ao fim brilhou entre os postes e defendeu tudo. O Benfica fora derrotado, mas pela infelicidade do golo infeliz de Costa Pereira.

Durante um ano mais, Germano continuou a exibir-se ao melhor nível. Para trás ficava o calvário das lesões, que lhe havia tolhido a alma.

O Mundial de 1966

Estávamos na antecâmara do Mundial de Inglaterra. Convocado foi e, mais importante ainda, era o capitão da equipa, sinal de incontestável liderança. Contudo, na mais brilhante operação do futebol português a nível de selecções, apenas se mostrou num jogo, o da vitória, por 3-0, com a Bulgária. Pela selecção alinhou 24 vezes. 10 delas como jogador do Atlético.

A dispensa do Benfica

Quando regressou de Inglaterra, soube que estava na lista de dispensas de Fernando Riera. Apopléctico ficou, confrontada com a má nova. Poderia ter retaliado. Nessa altura ou mesmo pela vida fora. Mas não. Muitos anos depois, foi possível recolher-lhe uma das raras declarações, justamente sobre o homem que da Luz lhe deu guia de marcha: «Fernando Riera foi um grande treinador, uma pessoa amável, profundo conhecedor do futebol, incapaz de cometer injustiças no relacionamento com os jogadores». Também por aqui se explica esse traço incomum do seu temperamento.

Os últimos capítulos

Ao Benfica regressou, a meio da época 67/68, quando Otto Glória reassumiu a liderança do futebol, substituindo Riera. Integrou como adjunto a equipa técnica da final europeia de Wembley, contra o Manchester United. Mergulhou, depois, Germano, num silêncio quase permanente. Na Tapadinha ainda seria visto algumas vezes, sempre a sofrer pelo seu Atlético até à sua morte, ocorrida, por sardonismo, em 2004. A 14 de Julho de 2004 Alcântara chorou o desaparecimento terreno do seu filho mais querido. O Atlético colocou a bandeira a meia haste.

Germano tinha partido, mas o seu legado irá perdurar enquanto houver quem se lembre dos melhores. E Germano foi um deles.



CN = Campeonato Nacional; TP = Taça de Portugal; CE = Competições Europeias
Época Clube Divisão CN TP CE
1947/48 Atlético Juvenis
1948/49 Atlético Juvenis
1949/50 Atlético Juniores
1950/51 Atlético Juniores
1951/52 Atlético 1ª Divisão 10/0
1952/53 Atlético 1ª Divisão 26/2 4/0
1953/54 Atlético 1ª Divisão 20/0 4/0
1954/55 Atlético 1ª Divisão 23/2 1/0
1955/56 Atlético 1ª Divisão 12/9
1956/57 Atlético 1ª Divisão
1957/58 Atlético 2ª Divisão 6/0
1958/59 Atlético 2ª Divisão 25/12 4/0
1959/60 Atlético 1ª Divisão 24/3 2/0
1960/61 Benfica 1ª Divisão 23/2 3/1 8/0
1961/62 Benfica 1ª Divisão 13/2 6/1 5/0
1962/63 Benfica 1ª Divisão 2/0 1/0 1/0
1963/64 Benfica 1ª Divisão 5/0 7/0 1/0
1964/65 Benfica 1ª Divisão 15/0 8/0 9/0
1965/66 Benfica 1ª Divisão 17/0 1/0 5/0
1966/67 Benfica 1ª Divisão 1/0
Salgueiros 2ª Divisão