Em 1919, por várias dificuldades, o Carcavelinhos deixou de se inscrever em provas da Associação de Futebol de Lisboa, o que motivou nova dispersão dos jogadores.

Contundo, em 1920, ano que marcou uma nova fase na vida do popular clube alcantarense, voltou a inscrever-se oficialmente, e, desta vez, com quatro categorias.

Tocou a reunir e todos os jogadores dispersos voltaram aos poucos a defender a bandeira do seu antigo clube.

Nomes de dirigentes, modestos mas laboriosos, aparecem então, como João Belo, José Lameiras, Viriato Lameiras, Duarte Ferreira, José dos Santos Júnior, António Lírio, Álvaro Firmo, Guilherme Sá Gomes, José Henriques Neves, António Forte, e muitos outros.

Dr. Manuel Correia Guedes, antigo presidente do Carcavelinhos e da Associação de Futebol de Lisboa.

Surgiu também Manuel Correia Guedes, mais tarde formado em Medicina, que assumiu a Direcção do clube e soube dar-lhe impulso notável. Carlos Canuto, que passara pelo antigo Império Lisboa Club, acorria também, transbordante de mocidade e energia, a juntar-se aos seus antigos companheiros, na luta pelo engrandecimento do Carcavelinhos, que ele, garoto ainda, apadrinhara.

Trazido pela mão de Canuto, que começava já a evidenciar as suas extraordinárias faculdades de trabalho, apareceu Alberto de Sousa Lino (e que mais tarde viria a ser dirigente no Atlético), que vinha do Ocidental e se afirmou, depois, como dirigente do Carcavelinhos.

Sousa Lino, com Rodrigues Graça, Armando Esteves, Nepomuceno da Cruz, Adelino Abrantes, Silva Ramos e Pedro Nunes Pereira, constituiu valioso núcleo, conduzindo o clube de Alcântara para lugar excelente na conjuntura desportiva de então.

É nesta fase que surge o malogrado e saudoso António Faustino, orientador dos primeiros e dirigente de eleição, com o seu grupo – Carlos Ribeiro, Carvalho dos Santos, Francisco Nogueira, Carlos Nogueira, Sousa Duarte, e alguns mais.

Disputou o Carcavelinhos, nessa época de 1920/21, o Campeonato de Lisboa em todas as categorias (quatro), que era o 15.° da série. O torneio ganhou assim novo motivo de interesse, pois além do Carcavelinhos apareceu também o Casa Pia, este formado por elementos de outros clubes, principalmente do Benfica, todos ex-alunos da Casa Pia de Lisboa.

O Campeonato foi disputado em duas séries. A primeira agrupava o Carcavelinhos, Sporting, Benfica e Império; na segunda o Casa Pia, Belenenses, Vitória de Setúbal (O distrito de Setúbal só nasceria a 22 de Dezembro de 1926 e a sua Associação de Futebol seria fundada a 5 de Maio de 1927, razão pela qual o Vitória participava no Campeonato de Lisboa) e Internacional.

Na primeira série saiu vencedor o Sporting, somando 10 pontos, contra 7 do Carcavelinhos e do Benfica e zero do Império. Houve necessidade de um desempate entre os alcantarenses e benfiquistas que, mais felizes, ganharam por 1-0. O Benfica passou, pois, à fase final.

Na sua apresentação em primeiras categorias, o Carcavelinhos teve excelente comportamento, visto tratar-se de estreante. Em seis jogos, conquistou três vitórias, empatou uma vez e perdeu duas vezes, marcando doze tentos e sofrendo cinco.

O Casa Pia foi, nesta época, o campeão de Lisboa em primeiras categorias. O Benfica triunfou em segundas e terceiras e o Futebol Benfica em quartas.