Frustrados os intentos dos rapazes de Alcântara na época de 1923/24, a seguinte – 1924/25 – proporcionou-lhes a conquista do Campeonato de Lisboa absoluto em segundas categorias e o título de campeões da 2.ª Divisão, através de prova brilhantíssima, pois apenas cederam um empate frente ao Chelas, no decorrer da segunda volta.

Anotemos os resultados:
Carcavelinhos-Portugal – 1ª volta 2-1, 2ª volta 6-0.
Carcavelinhos-Chelas – 1ª volta 1-0, 2ª volta 2-2.
Carcavelinhos-União Lisboa – 1ª volta 2-0, 2ª volta 5-4.
Carcavelinhos-Império – 1ª volta 1-0, 2ª volta 4-3.

Infere-se facilmente pela leitura dos resultados, do mérito da vitória do Carcavelinhos, que lhe abria as portas da 1.ª Divisão.

Como era do regulamento, os alcantarenses bateram-se depois com o Sporting, vencedor na divisão principal, a fim de se apurar o campeão lisboeta absoluto.

Realizou-se a finalíssima a uma quarta-feira – 6 de Maio de 1925 – em Palhavã. Apesar de ser dia útil, o desafio despertou o maior interesse. Milhares de pessoas acorreram ao campo de Palhavã para observar o Carcavelinhos, a quem Cândido de Oliveira dedicara na imprensa francos elogios, dando-o como favorito na final.

As equipas eram as seguintes.
Carcavelinhos – Serafim Correia; Carlos Alves e Armindo de Oliveira; Daniel Vicente, Filipe Duarte (capitão) e Carlos Domingos; Manuel Abrantes, Alfredo Rodrigues (Sota), Carlos Canuto, José Domingos e Manuel Rodrigues.
Sporting – Cipriano; Joaquim Ferreira, o Jorge Vieira (capitão); Leandro, Filipe dos Santos e Portela; Torres Pereira, Jaime Gonçalves, Alfredo de Sousa, João Francisco e Emílio Ramos.

Arbitrou o Sr. Ilídio Nogueira, de Lisboa.

Assim que o árbitro deu Início ao encontro, a linha avançada alcantarense obrigou a defesa do Sporting a empregar-se a fundo. A rapidez e o entusiasmo do «team» de Alcântara arrancaram espontâneos aplausos do público, Os «leões» multiplicaram-se na defesa e com muita sorte à mistura, não consentiram que o insistente domínio do Carcavelinhos se expressasse no marcador.

Em descidas esporádicas logrou o Sporting obter dois golos no primeiro tempo, resultado por demais injusto, que quebrou o ânimo de Alcântara.

Nos segundos 45 minutos o Sporting, mais confiante, tentou então o ataque, embora o seu domínio tivesse sido menos pronunciado, e marcou terceiro tento, que como os anteriores, foi obtido por Jaime Gonçalves.
O «score» de 3-0 não exprimiu a verdade do jogo. A grande tarde do guarda-redes «leonino», Cipriano, pesou, todavia, de modo decisivo no fiel de balança.

Voltemos, contudo, a falar da obra admirável que se esboçava em Alcântara – a construção do campo da Tapadinha.
Sousa Lino demovia dificuldades e lançava a ideia de um empréstimo interno, realizado com raro êxito. António Rodrigues Graça, de Manhã à noite, acompanhava tudo e tudo fiscalizava, introduzindo modificações, servindo de engenheiro, fazendo de capataz e cooperando com os próprios trabalhadores.
O entusiasmo era contagiante.

Os jogadores de todas as categorias, salientando-se os do primeiro «team», vinham colaborar, possuídos de poética mística com a utilidade das suas profissões, e prestar também o seu concurso.

A «Comissão do Campo» operava prodígios. Pedro de Sá Gomes, António Cabeça, Álvaro Cardoso, Carlos Nogueira, Armando de Oliveira, Carlos Ganido, José Cardoso, Viriato Lameiras, Filipe Domingues, Germano de Campos, Jacinto Domingues e muitos outros, sacrificando-se até ao excesso, estimulavam o absorviam todos na grande obra.