A estrondosa vitória que o Carcavelinhos obteve sobre o Benfica, na segunda jornada do campeonato lisboeta da época de 1925/26, conferiu aos alcantarenses extraordinária reputação.

Não causou por isso espanto que a jornada n.º 3 fosse aguardada com visível curiosidade. O Carcavelinhos defrontava o seu vizinho Belenenses e fácil será calcular o entusiasmo que a partida despertou, pois ambas as equipas marchavam à frente da classificação, em igualdade de pontos.

O jogo efectuou-se no dia 8 de Novembro de 1925, no Estádio do Lumiar, campo apresentado pelos «azuis», enquanto o campo das Salésias não foi inaugurado.

Bastante emotivo e presenciado por grande assistência, o encontro terminou com a vitória do Belenenses por 3-2.
O União Lisboa, na mesma jornada, perdeu pelo mesmo resultado, frente ao Vitória de Setúbal.
8.ª jornada – 13 de Dezembro de 1925
Sporting, 5 – União Lisboa, 0
Carcavelinhos, 11 – Império, 5
9.ª jornada – 10 de Janeiro de 1926
União Lisboa, 5 – Império, 2
Carcavelinhos, 2 – Benfica, 2

Teremos, nesta, altura, de interromper o Campeonato de Lisboa a fim de nos ocuparmos da visita a Lisboa da equipa de futebol checa, o Rapid Sportoni Klub.

O Belenenses e o Império, aproveitando as datas livres de 17 e 22 de Janeiro, por via da realização, no Porto, do I Portugal-Checoslováquia, convidaram a actuar em Lisboa o Rapid Sportoni Klub, de Praga, que conquistara brilhantemente, na época de 1924-25, o título de campeão de Praga.

O Rapid era um clube de classe, pois da sua equipa faziam parte cinco «internacionais».

O primeiro adversário dos checos foi o Belenenses. Os «azuis» perderam por 7-4. Em jogo preliminar o Carcavelinhos ganhou ao Império por 2-0 e arrecadou uma taça.

A segunda apresentação do Rapid verificou-se contra o Carcavelinhos. Pela primeira vez os alcantarenses defrontavam uma equipa estrangeira.

O desafio efectuou-se no dia 21 de Janeiro de 1926, em Palhavã. Os de Alcântara não foram mais felizes do que os de Belém. Os checos ganharam por 7-3.

O Cronista do jornal «Os Sports», César de Oliveira, teceu, a propósito deste encontro, alguns curiosos comentários, que não resistimos à tentação de transcrever.

«O Rapid alinha onze checos de bom peso. O Carcavelinhos apresenta a Composição do costume. São onze madrigais em frente de onze toneladas esguias, listradas de branco e vermelho. O Rapid oferece, alinhado, uma perspectiva nova-iorquina, todos de vinte andares para cima.

Árbitro, Pinto de Magalhães.

Ao fim da primeira parte os checos ganhavam por 2-0. O segundo tempo tem um prólogo que era da tradição dos nossos encontros internacionais. Os alcantarenses recusam a bola que os checos querem impor, e Pinto de Magalhães decide-se pelo esférico dos primeiros, recomeçando o jogo».

No dia 24 de Janeiro de 1926, realizou-se no campo do Ameal, no Porto, como Já dissemos, o 1.º Portugal-Checoslováquia, desafio que proporcionou ao jogador unionista, Liberto dos Santos, a sua primeira «internacionalização».

Deste encontro e do popular jogador do União Lisboa nos ocuparemos no próximo capítulo.