O União Foot-Ball Lisboa foi um clube da cidade de Lisboa, mais concretamente em Santo Amaro, Alcântara, fundado a 3 de Março de 1910 e extinto a 18 de Setembro de 1942 após fusão com o Carcavelinhos Football Club, que deu origem ao Atlético Clube de Portugal.

Nome: União Foot-Ball Lisboa
Fundação: 3 de Março de 1910
Extinção: 18 de Setembro de 1942
Estádio: Campo de Santo Amaro, em Alcântara

Palmarés

Futebol
Taça de Honra 3ª Categoria – AF Lisboa (1919/20, 1931/32, 1932/33 e 1933/34).
Campeonato de Promoção (1920/21).

Basquetebol
Campeonato de Portugal (1933/34).
Campeonato de Lisboa (1934/35, 1933/34, 1937/38, 1938/39 e 1941/42).


Dos clubes fundadores do Atlético Clube de Portugal o União foi o que se estabeleceu primeiro. Curiosamente, ou talvez não, também é o clube sobre o qual existe menos informação.

Fundado a 3 de Março de 1910, o União nasce devido a um grupo de amigos denominado de «Os Quinze». Eram, portanto, 15 os elementos fundadores, além dos quais mais ninguém poderia ser admitido no novo clube.

António José Pires, João França, António Marques, João Pilones, Alberto Soares, Arnaldo da Mata, António da Mata, João da Mata (três irmãos), Silvestre Ramalho, Manuel Esteves, Francisco Lopes, José Garcia, Artur Garcia, Luís Ferreira e Henrique Viegas eram os integrantes do grupo «Os Quinze», sendo que ficou António José Pires conhecido como o fundador do União.

Do primeiro desafio pouco se sabe, apenas que venceram o Grupo de Futebol Imperial, da Rua da Cruz, no Campo da Junqueira.

Porém os 15 sócios eram um número reduzido. Em casa de António José Pires realiza-se uma Assembleia Geral para deliberar a admissão de sócios sem limite. Aceite a deliberação, o número de associados aumenta, muito graças aos esforços de António da Mata e António José Pires.

Em Agosto de 1910 o Grupo de Futebol Benfica organiza um torneio de futebol para quintas categorias, e o União disputa o torneio junto com 17 outros clubes. O União, nome que simbolizava a amizade de todos os sócios, venceu o torneio sem uma única derrota. Foi a primeira taça ganha pelo União, e por obra da fusão com o Carcavelinhos, é a taça mais antiga do Atlético.

No ano seguinte, 1911, o União concorre novamente ao torneio do Grupo de Futebol Benfica, mas agora com duas equipas, nas terceiras e quintas categorias, vencendo em ambas.

Já com sede própria, instalada na Rua dos Lusíadas, n. º 141, perto do Jardim de Santo Amaro, é constituída a primeira Direcção, formada por Manuel Varela (Presidente), António da Mata (Vice-Presidente), Joaquim Basílio (1º Secretário), João Soares França (2º Secretário) e Raul Ramalho (Cobrador).

Nas comemorações do primeiro aniversário foi, naturalmente, incluído um desafio de futebol e o convidado foi o Grupo Futebol Benfica. Foram os sócios do União que carregaram bilhas de barro cheias de água para os jogadores se poderem lavar no final do jogo. Outros carregaram as balizas às costas para o Campo da Junqueira, que era o campo de todos os clubes. Ali também jogavam o Alcantarense, o Imperial, o Ocidental, e tantos outros…

Em 1913 a primeira categoria do União tornou-se a terceira categoria do Sport União Belenense e ficou em 2º lugar no Campeonato da Associação de Futebol de Lisboa. Tal aconteceu porque o União não tinha campo, e a Associação não aceitou a inscrição. Para não ficarem inactivos, os jogadores resolveram defender o clube de Belém.

Como em 1914 o União ainda não disputava provas oficiais, os seus jogadores formaram uma categoria do Lisboa Futebol Clube, passando depois para o Império.

Finalmente, em 1917, o União consegue filiar-se na Associação de Futebol de Lisboa, com as terceiras e quartas categorias. No ano seguinte chegam à final com o Benfica, mas perdem. Em 1919/20 a terceira categoria alcança o título de campeão, ao vencer na final o Grupo Desportivo da Fábrica das Seixas, por 3-0.

Na temporada de 1920/21 o clube de Santo Amaro venceu o Campeonato da Promoção e subiu à 2ª Divisão.

Com a entrada na 2ª Divisão novos problemas surgiram. O Império acedia ceder o seu campo. Porém João Duarte, pilar da defesa Imperial, adoece, e o Império Lisboa Club volta atrás na sua decisão. Em hora de aflição aparece o Chelas Futebol Clube a oferecer o seu campo e o problema é solucionado.

A partir dessa altura a preocupação do clube passa pela obtenção de um campo próprio. A Direcção, em 1926, composta pelo Eng.º Perestrelo Aguiar, Paulo Ferreira, José Marques Cardoso, Guido Gomes Rosa e Alberto Marques, nomeia uma comissão, formada pelo Eng.º Aníbal Matriz Fernandes e Paulo Ferreira, com a missão de, junto do Marquês de Vale Flor, encetar conversações para a cedência de um terreno em Santo Amaro.

O Marquês acede, e forma-se outra comissão para levar a cabo obras de construção do novo campo.

Porém, alguns anos depois, o Marquês pede a devolução do terreno. Foi um duro golpe nas aspirações do já popular União. Mas a Direcção decide encarar o problema e resolvê-lo.

Formada nova comissão, composta pelo Eng.º Aníbal Mariz Fernandes, José Maria Amaral e João de Almeida Governo, esta encetou, novamente, conversações com o Marquês de Vale Flor com vista à obtenção de novo terreno. Estamos a falar do terreno onde se viria a situar o Campo de Santo Amaro, onde actualmente se encontra instalada a Escola Francisco de Arruda.

O Marquês de Vale Flor acedeu, e doou quarenta e quatro contos para a compra do terreno, após a qual juntou-se a comparticipação de José Cardoso e Paulo Ferreira, iniciando-se assim as obras.

Inaugurado a 5 de Janeiro de 1930, os festejos integraram dois encontros de Futebol: Vitória de Setúbal-Benfica e União-Lusitano de Évora.

O terreno, com 103 metros de comprimento por 63 de largura não viu cumprido o projecto das obras na sua totalidade, já que a empreitada atingia uma verba a rondar os 700 contos, o que em 1930 era incomportável.

Assim nascia o Campo de Santo Amaro, que mais tarde, por via da fusão do União com o Carcavelinhos, viria a pertencer ao Atlético, sendo expropriado em 1950 pela Câmara Municipal de Lisboa.